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de costas pr'ó mar

por Mariana Sofia

22
Ago16

a memória. e o sentimento agridoce.

Mariana Sofia

Para muitos aproxima-se o começo de uma nova etapa: a entrada no ensino superior. Não é o meu caso. Sou aluna do 3.º ano do curso de Sociologia no ISCTE. Estou quase a terminar esta etapa. Pelo menos parte dela. Mas como é que isto aconteceu?

 

No ensino secundário optei pelo curso de Ciências e Tecnologias (acho que ainda é assim que se chama!). Toda a turma, ou pelo menos a maioria, enveredou pelas ciências. Primeiro erro. Estou mais do que arrependida. Porque é que tive que seguir o caminho dos outros e não escolher o meu? Pois. Logo no fim do 10.º ano apercebi-me que aquilo não era a minha praia, apesar de gostar muito da tabela periódica e de mexer no microscópio. Mas isso não chega. Tem que se gostar mesmo daquilo. Eu não gostava. Sim, tinha a opção de mudar para o curso de Humanidades. Mas não queria ficar atrasada mais um ano. Mau pensamento. Ainda assim, fiz tudo direitinho. Passei às disciplinas todas. A média não foi alta. Mas também não foi baixa. Quer dizer, depende do ponto de vista. Foi a que consegui. Esforçei-me para aqueles números. Sim, porque no ensino superior público apenas se interessam pelos teus números. No final do 12.º não fazia a mínima ideia do que escolher. Eu gostava realmente de Direito ou Jornalismo. Tudo a ver, eu sei. Mas nenhuma foi a minha primeira opção. Como estava num curso de ciências achei que o mais correto era escolher um curso ligado a tal. Segundo erro. Escolhi bioquímica. Quando me perguntavam se era mesmo aquilo, eu dizia com toda a confiança que era o que eu realmente queria fazer. Claro que não e ainda bem que não. 

 

Chegou o dia de fazer a inscrição. Não estava a correr bem. Não percebia nada daquilo. Estava nervosa e estava apenas em frente a um computador. Desloquei-me ao ISCTE onde nos ajudavam a preencher aquilo. Sai de lá a chorar. É verdade. Estava tão nervosa que desatei a chorar. Desci aquela avenida (maldita sejas!) num pranto. Achei que não ia conseguir entrar em nada. Achei que não tinha média para entrar num curso interessante. Que eu realmente gostasse. Cheguei a casa e pus-me a pesquisar. Vi todos os cursos e mais alguns. As opções foram, por esta ordem: Bioquímica, Sociologia, Jornalismo e Direito. Se fosse hoje, punha Sociologia como primeira opção. Na altura, punha o jornalismo. Mas ainda não acabei. Falta o mestrado que será ligado ao jornalismo. Afinal, alguma coisa tinha que correr bem. 

 

Hoje, quando penso que estou quase a terminar a minha Licenciatura, não sei o que sinto. Mas sei que estou feliz e realizada. Os nervos, a espera valeram a pena. Foi dolorosa. Bastante. Não deviamos passar por isto. Mas faz parte. Quando sabemos que entrámos, a alegria é imensa e contagiante. Os meus vizinhos devem ter ficado surdos, peço desculpa. 

 

No fim, percebi que o pensamento deve ser o mais positivo possível. Devem estar cientes de que deram o vosso melhor. De que trabalharam para atingir aquele objetivo. Que independentemente de tudo o resto fizeram a escolha certa. 

beijinhos **

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