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de costas pr'ó mar

Mariana Sofia

15
Fev18

Review // Para a Minha Irmã

book_Jodi.JPG

Abordar temas controversos é complicado. Mas haverão sempre pessoas que se arriscam, e que o fazem com uma simplicidade e sensibilidade perfeitas. Jodi Picoult é uma dessas pessoas, capaz de transferir os acontecimentos mais inesperados e comoventes da vida real para os seus livros. É com os temas polémicos que nos agarra, e fá-lo de uma forma ímpar.

 

A combinação do material genético específico ainda está longe de fazer parte do nosso vocabulário corrente e das nossas preocupações diárias. Porque os assuntos polémicos tendem a tornar-se assuntos tabu. Segue-se a emancipação médica, a melhor solução encontrada por uma criança que ter controlo total sobre o seu corpo. A isto alia-se a rebeldia de um irmão que de tudo fez para salvar a irmã, mas que nunca foi compatível. Por outro lado, estão os pais que, ora de acordo, ora em desacordo, fazem o que acham mais correto para salvar a sua filha, esquecendo-se que ainda têm mais dois filhos. As relações familiares são assim, complexas.

 

E, se antes eu dizia que nunca iria conceber um filho com características genéticas para salvar outro filho, hoje não o faço, e muito menos penso nisso. Porque não sabemos o que nos espera. Não sabemos se seremos compatíveis, se for necessário um transplante de medula. Não sabemos se os nossos filhos serão saudáveis o suficiente. Não sabemos nada, na verdade. E os pais fazem aquilo que têm que fazer pelos filhos. Para os salvar. Se sacrificar um filho em prol do outro é o mais correto? Não sei. Se vale tudo para salvar a vida de um filho? Não sei. Cientificamente temos um leque de possibilidades. E eticamente, vale tudo? Não sei. Nunca saberei.

beijinhos **

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11
Jan18

Nem todos os amores crescem.

“O egoísmo traduz-se numa luta de interesses, de opiniões, de desejos dispostos a tudo.”

(André Marques)

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Foi este o primeiro livro da parceria com a Chiado Editora. E que misto de emoções. É pequeno, mas não tanto para acharmos que se lê em pouco tempo. Longe disso. É um romance com um final incerto. E um romance diferente de todos os que já li, e ainda bem. Mas é igualmente um romance bastante profundo. Um romance com pontas soltas, que se vão encaixando a cada página que passa.

 

Nem todos os amores crescem. É verdade. Nem sempre os finais são felizes. Muitas vezes, nem sequer existe um final. O amor poderia resumir-se a encontros e desencontros. Obra do acaso, ou do destino. Ou simplesmente resultado da ambição por um estatuto social. Rafael e Beatriz, um casamento pautado pela indiferença e pelo ódio. Pela satisfação sexual e pelo interesse mútuo. É na bebida que se encontra o esquecimento para as más escolhas que se fizeram. É nas traições que se procura a humilhação do outro.

 

Nem todos os amores crescem. Uns estão condenados. Outros vão-se condenando. Por culpa do preconceito, é certo. Mas porque existe sempre um motivo mais forte para se escolher não amar. Há sempre uma desculpa para a fuga. A infância traumatizante de Bruno tornou-o desprovido de afetos. E, mesmo tentado amar André, opta por uma vida facilitada, sem entrar em confronto com o seu pai.

 

Duas histórias de amor que se cruzam. Duas histórias de amor que nos mostram que nem sempre o final é feliz. Duas histórias de amor que nos fazem questionar o verdadeiro sentido de amar. Duas histórias de amor que nos revelam que nem todos os amores crescem. Mas não deixam de ser histórias de amor.

beijinhos **

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(post patrocinado pela Chiado Editora)

30
Nov17

O poder das pequenas coisas.

“Para odiar, as pessoas têm de aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”, Nelson Mandela

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Ruth Jefferson é muito boa naquilo que faz. Ajuda bebés a vir ao mundo. E cuida deles nos seus primeiros dias de vida. Todos os dias surgem casos novos. Uns mais complicados do que outros, mas o profissionalismo faz parte de si. Um dia, é colocado um post-it na ficha de um paciente: “ESTE PACIENTE NÃO DEVE SER TRATADO POR PESSOAL AFRO-AMERICANO”. E tudo teria ficado por aqui, se o bebé não tivesse enfrentado complicações no dia seguinte. Ruth é a única enfermeira por perto. Restam-lhe duas opções: cumprir as ordens que lhe foram dadas, ou intervir. O que acontece depois altera a vida de todos, e a imagem que têm uns dos outros.

 

Porque o preconceito racial está presente no nosso quotidiano. Todos os dias somos confrontados com ele. Pode não nos afetar diretamente, mas ele está lá. E a injustiça também. Principalmente para com as minorias. Sejam étnicas ou não. Está lá tudo, menos a tolerância. Não somos todos pessoas? Temos todos os mesmos direitos e deveres, certo? Depende. Depende das circunstâncias e das pessoas.

 

Quando um livro nos faz chorar, é um bom livro. E foi o que aconteceu. A história tem a capacidade de nos fragmentar a cada página. Somos confrontados com as nossas próprias convicções e valores. Somos levados a questionar tudo o que já questionámos, mas não demos grande importância. Porque, de facto, a questão da cor de pele não é um problema. Pelo menos para aqueles que nunca foram alvo de discriminação. Porque só se torna um problema, quando nos afeta.

beijinhos **

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23
Nov17

A Rapariga que Roubava Livros

 "Há diferentes histórias que permito me destraiam enquanto trabalho, tal como acontece com as cores. Recolho-as nos sítios mais improváveis e miseráveis e certifico-me de que as recordo durante o meu serviço."

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Só vi um filme que tenha sido uma adaptação de um livro. E não gostei. Sim, estou a falar da "Rapariga no Comboio". Entretanto vi outro, muito depois de ter lido o livro, cerca de 2 anos. Estou a falar d' "A Rapariga que roubava livros". E foi diferente, mas… Há quase sempre um mas. 

 

É uma história absorvente, que nos conta o Holocausto de uma perspetiva diferente. É a morte quem narra a história. E narra-a de uma forma única e arrepiante, numa leitura que os prende de tal forma que julgamos mpossíve. A morte é quem vai recolhendo as almas dos que não foram suficientemente fortes para aguentar com tudo. Trabalha para os maiores cretinos do mundo, mas não deixa de ser o seu trabalho, refere.

 

A rapariga que roubava livros sobrevive no meio da guerra, numa família que não é a sua, mas que acaba por se tornar a única coisa que tem. E, é na leitura que encontra o escape à dura realidade que a cerca, e a salvação dos demais. As condições precárias em que estas pessoas viviam é uma realidade bem distante da nossa, felizmente. Mas faz parte da história da humanidade, ou inumanidade. Uma história com tanto por contar e por descobrir. Mas que se torna cada vez mais arrepiante a cada página que passa.

 

O livro é infinitas vezes melhor do que o filme. E acho que vai ser sempre assim. Não é possível converter todos os pormenores descritos em 500 ou mais páginas para um filme de 80 minutos. E mesmo que fosse possível, não seria a mesma coisa. Porque o folhear de cada página é uma sensação indescritível. Porque ler oferece-nos o prazer inigualável de imaginar a história. 

beijinhos **

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05
Out17

Escrito na Água

"Cuidado com as águas calmas. Não sabemos o que escondem no fundo."

Escrito_Água.jpg

O poço das afogadas é um local de suicídios. E um local onde se livram das mulheres problemáticas. Foi o local onde ficou Nel, a mulher que sempre quis descobrir o mistério que escondia o rio que levou apenas mulheres. E, depois da sua morte, não é apenas a dúvida sobre o que aconteceu que ficou no ar. Todos vão querer saber o que aconteceu a todas aquelas mulheres. Todos vão querer saber o porquê. Até nós, a cada página que viramos.

 

Um thriller envolvente que nos leva a querer desvendar o que realmente acontece naquele rio. Será uma inevitabilidade, ou alguém que se livra de mulheres que querem saber demais? Têm elas alguma ligação entre si? O passado é inevitavelmente remexido, e com eles surgem surgem recordações surpreendentemente reveladoras. O final é inesperado, como já esperávamos. Todas as personagens deixam o seu final em aberto, talvez porque nunca sabemos o que nos reserva o dia seguinte.

beijinhos **

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