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de costas pr'ó mar

Mariana Sofia

Ter | 16.01.18

#9 conversas de autocarro | "Vou chular o meu pai"

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// imagem retirada do Pinterest // 

Não sou adepta de frequentar transportes públicos. Sou daquelas pessoas que prefere estar uma hora parada no trânsito, mas não estar com centenas de pessoas em cima de mim, a respirarem o mesmo ar que eu. Prefiro ter que pagar parquímetro ou andar a fugir dos senhores da Emel, ao invés de ter que esperar 30 minutos por um autocarro, ou 10 minutos pelo metro, na melhor das hipóteses. Mas, há uma coisa que eu gosto de fazer quando tenho, obrigatoriamente, que frequentar os transportes públicos. Observar os comportamentos alheios.

 

Os comportamentos dos outros fazem-nos pensar. Principalmente quando os seus autores são pessoas mais novas. E quando são adolescentes, a coisa ainda se torna mais interessante. Porque me levam a questionar o porquê de agirem assim. Ou utilizarem determinadas expressões. Penso na minha adolescência, que ainda está bem fresca na minha memória, e tento recordar-me daquilo que também eu já fiz. 

 

“Vou chular o meu pai”, dizia uma rapariga que teria não mais do que 16 anos. Estava com uma amiga e vinham ambas das compras. A autora deste comentário bastante triste, achava que ainda precisava de mais dois casacos, mas primeiro tinha que ir chular alguém (palavras dela, não minhas!). O pai deveria ser o alvo mais fácil, a quem extorquir alguns trocos. Estava a mirar o casaco da amiga, fazendo toda uma ginástica para conseguir ver a marca do mesmo. Provavelmente iria comprar igual, mas com o pelo em rosa (sim, são aqueles casacos verdes, com o pelo em rosa, vermelho ou amarelo...).

 

Eu não compreendo. Nem quero, a sério. Podem dizer-me que é fruto das companhias, o que eu não discordo totalmente. Podem dizer-me que é do meio onde vivem, e aí já vamos ter uma verdadeira discussão. Podem dizer-me que é fruto da educação, e eu apoio incondicionalmente. Independentemente disso, acho que é preciso ter respeito pelos nossos pais, principalmente se forem eles que nos permitem ostentar aquilo que vestimos. Este tipo de comentários que oiço frequentemente por parte daqueles que são mais novos do que eu, mas não tanto, chocam-me, mas deixam-me perdida. Sem saber o que vai naquelas cabeças. Se são valores ou se são marcas.

beijinhos **

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