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de costas pr'ó mar

Mariana Sofia

Qua | 21.11.18

Review // Os Loucos da Rua Mazur

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Ainda não acabei o livro, e já estou a escrever sobre ele. Não que tenha sido uma má experiência literária, mas há livros que não precisam de ser terminados para já termos uma opinião formada a seu respeito. Especialmente, aqueles que nos mostram um outro lado daquela que foi a pior época da história da humanidade.

 

Os Loucos da Rua Mazur revelou-se um romance fora dos padrões do romance histórico, mas onde a História faz inevitavelmente parte da ação. É uma narrativa contada a dois tempos – o passado, no qual se conta a história de um livro, e o presente, no qual se apresenta o livro cuja história pertence ao passado, onde personagens e pessoas reais se misturam. Eryk, um escritor famoso, que não quer morrer sem escrever o livro de todas as redenções. Mas, para isso, precisa da memória de Yankel, o seu amigo de infância que sempre viu muito para além da sua cegueira.

 

Yankel e Eryk mergulham no passado perturbador, naquela que foi uma cidade de cristãos e judeus, de sãos e de loucos, um dia ocupada por tropas soviéticas e nazis. Os episódios de violência desumana, com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas demasiado evidentes, misturam-se com o triângulo perturbador da amizade, e com o conflito amoroso.

 

É em Paris, na Livraria Thibault, que Eryk revela a Yankel como gosta de brincar às escondidas com aquilo que escreve. E, é nos encontros e desencontros com o passado, que percebemos que o pior vem de quem menos se espera; quando se internam os loucos, e deixam à solta os sãos.

beijinhos **

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